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Acidentes
ofídicos
Os
acidentes ofídicos no Brasil são causados,
na grande maioria, por serpentes conhecidas
como "jararaca", "jararacuçu", "caiçaca",
"urutu", "cotiara" (gênero Bothrops -,
seguidos dos acidentes por "cascavéis"
(gênero Crotalus -"surucucu" (gênero Lachesis
- e pelas "corais verdadeiras" (gênero
Micrurus -, conforme pode ser observado
na figura 1.
Figura
1 - Distribuição dos acidentes ofídicos
no Brasil, segundo do gênero da serpente
causadora do acidente.
Fonte:
Fundação Nacional de Saúde, 1998
A
ocorrência do acidente ofídico é marcada
por fatores climáticos e de aumento da
atividade humana nos trabalhos no campo.
No HVB, por exemplo, a grande maioria
dos casos é atendida de outubro a abril,
época que coincide com os meses quentes
e chuvosos (figura 2).
Figura
2 - Distribuição ao longo
do ano dos acidentes ofídicos registrados
no Hospital Vital Brazil, 2001
O
diagnóstico do tipo de serpente causador
do acidente é feito, na maioria dos casos,
com base nas manifestações clínicas que
o paciente apresenta no momento do atendimento,
uma vez que nem sempre é possível a identificação
do animal. Deste modo, são os acidentes
são classificados em:
Acidente
botrópico (causado por serpentes do grupo
das jararacas): dor e inchaço no local
da picada, às vezes com manchas arroxeadas
e sangramento pelos orificios da picada;
sangramentos em gengivas, pele e urina.
Pode evoluir com complicações como infecção
e necrose na região da picada e insuficiência
renal.
Acidente
laquético (causado por surucucu):
quadro semelhante ao acidente botrópico,
acompanhado de vômitos, diarréia e queda
da pressão arterial.
Acidente
crotálico (causado por cascavel):
no local sensação de formigamento, sem
lesão evidente; dificuldade de manter
os olhos abertos, com aspecto sonolento,
visão turva ou dupla, dores musculares
generalizadas e urina escura.
Acidente
elapídico (causado por coral verdadeira):
no local da picada não se observa alteração
importante; as manifestações do envenenamento
caracterizam-se por visão borrada ou dupla,
pálpebras caídas e aspecto sonolento.
Convém
lembrar que serpentes não peçonhentas
também podem causar acidentes e que nem
sempre as serpentes peçonhentas conseguem
inocular veneno por ocasião do acidente.
Cerca de 40% dos pacientes atendidos no
Hospital Vital Brazil são picados por
serpentes consideradas não-peçonhentas
ou por serpentes peçonhentas que não chegaram
a causar envenenamento.
Primeiros
socorros
Muitos
procedimentos, embora não recomendados,
são ainda amplamente empregados como medidas
visando retardar a absorção no veneno.
Boa parte deles pode, na verdade, contribuir
para a ocorrência de complicações no local
da picada.
Medidas
a serem tomadas em caso de acidentes:
- Não amarrar o membro
acometido
O torniquete ou garrote dificulta a
circulação do sangue, podendo produzir
necrose ou gangrena e não impede que
o veneno seja absorvido.
- Não cortar o local
da picada
Alguns venenos podem inclusive provocar
hemorragias e o corte aumentará a perda
de sangue.
- Não chupar
o local da picada
Não se consegue retirar o veneno do
organismo após a inoculação. A sucção
pode piorar as condições do local atingido.
- Lavar o local da
picada somente com água e sabão.
Não colocar substâncias no local da
picada, como folhas, querosene, pó de
café, pois elas não impedem que o veneno
seja absorvido, pelo contrário, podem
provocar infecção.
- Evitar que o acidentado
beba querosene, álcool ou outras bebidas
Além de não neutralizarem a ação do
veneno, podem causar intoxicações.
- Manter o acidentado
em repouso.
Se a picada tiver ocorrido em pé ou
perna, procurar manter a parte atingida
em posição horizontal, evitando que
o acidentado ande ou corra.
- Levar o acidentado
o mais rapidamente possível a um serviço
de saúde
É difícil estabelecer um prazo para
o atendimento adequado porém o tempo
decorrido entre o acidente e o tratamento
é um dos principais fatores para o prognóstico.
O soro é o único tratamento eficaz no
acidente ofídico e deve ser específico
para cada tipo (gênero) de serpente.
Acidentes
por escorpião
Os
escorpiões de importância médica estão
distribuídos em todo o país, causam dor
no local da picada, com boa evolução na
maioria dos casos, porém crianças podem
apresentar manifestações graves decorrentes
do envenenamento.
Em
caso de acidente, recomenda-se fazer compressas
mornas e analgésicos para alívio da dor
até chegar a um serviço de saúde para
as medidas necessárias e avaliar a necessidade
ou não de soro.
Acidentes
por aranhas
São
três os gêneros de aranhas de importância
médica no Brasil:
Loxosceles
("aranha-marrom"): é importante causa
de acidentes na região Sul. A aranha provoca
acidentes quando comprimida; deste modo,
é comum o acidente ocorrer enquanto o
individuo está dormindo ou se vestindo,
sendo o tronco, abdome, coxa e braço os
locais de picada mais comuns.
Phoneutria
("armadeira", "aranha-da-banana", "aranha-macaca"):
a maioria dos acidentes é registrada na
região Sudeste, principalmente nos meses
de abril e maio. É bastante comum o acidente
ocorrer no momento em que o indivíduo
vai calçar o sapato ou a bota.
Latrodectus
("viúva-negra"): encontradas predominantemente
no litoral nordestino, causam acidentes
leves e moderados com dor local acompanhada
de contrações musculares, agitação e sudorese.
As
aranhas caranguejeiras e as tarântulas,
apesar de muito comuns, não causam envenenamento.
As que fazem teia áreas geométricas, muitas
encontradas dentro das casas, também não
oferecem perigo.
Acidentes
por taturanas ou lagartas
As
taturanas ou lagartas que podem causar
acidentes são formas larvais de mariposas
que possuem cerdas pontiagudas contendo
as glândulas do veneno. É comum o acidente
ocorrer quando a pessoa encosta a mão
nas árvores onde habitam as lagartas.
O
acidente é relativamente benigno na grande
maioria dos casos. O contato leva a dor
em queimação local, com inchaço e vermelhidão
discretos. Somente o gênero Lonomia pode
causar envenenamento com hemorragias à
distância e complicações como insuficiência
renal.
Soros
Os
soros antipeçonhentos são produzidos no
Brasil pelo Instituto Butantan (São Paulo),
Fundação Ezequiel Dias (Minas Gerais)
e Instituto Vital Brazil (Rio de Janeiro).
Toda a produção é comprada pelo Ministério
da Saúde que distribui para todo o país,
por meio das Secretarias de Estado de
Saúde. Assim, o soro está disponível em
serviços de saúde e é oferecido gratuitamente
aos acidentados.
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